Quando o sol se despede por dois meses
Há algo quase cinematográfico na ideia de ver o último pôr do sol do ano e saber que ele não voltará tão cedo. Em Utqiagvik, no extremo norte do Alasca, esse ritual aconteceu na terça-feira (18), às 13h36 — e agora começa a contagem de 64 dias de escuridão. A cidade, que já atendeu pelo nome de Barrow, vive anualmente a chamada noite polar, fenômeno que sempre desperta curiosidade e um certo frio na barriga.
Por que o sol some por tanto tempo
A explicação é científica, mas o efeito é quase poético: a inclinação do eixo da Terra impede que qualquer parte do disco solar ultrapasse o horizonte durante o inverno. E como Utqiagvik está acima do Círculo Polar Ártico, o sol simplesmente desaparece. A meteorologista Allison Chinchar costuma comparar o período às luzes tímidas que surgem alguns minutos antes do amanhecer. É uma claridade suave, que dura poucas horas — e, se o céu resolver fechar, nem isso aparece.
Uma rotina moldada pela penumbra
Com cerca de 4.900 habitantes, a cidade já aprendeu a viver com a falta de luz. As famílias se organizam ao longo do ano: estocam comida, reforçam o aconchego dentro de casa e usam a energia elétrica como aliada indispensável. A verdade é que a noite polar já faz parte da identidade local. Kaktovik, Point Hope e Anaktuvuk Pass entram nessa mesma dinâmica em seguida, repetindo uma tradição herdada geração após geração.
Entre penumbras e verões intermináveis
Curiosamente, quando o inverno termina, a lógica se inverte. O mesmo Alasca que agora mergulha no escuro vive, no verão, o chamado sol da meia-noite — dias que parecem não acabar e que iluminam 24 horas inteiras. Um contraste que só quem vive tão perto do topo do mundo pode experimentar plenamente.



