A maior queda de aprovação do mandato
Os números mais recentes do levantamento Reuters/Ipsos deixaram um sinal claro no cenário político americano: Donald Trump chegou a 38% de aprovação, o menor índice deste mandato. A queda, embora esperada por alguns analistas, ganhou força graças ao descontentamento com o custo de vida e ao desgaste provocado pela divulgação dos arquivos ligados ao caso Jeffrey Epstein — um tema que o presidente tentou evitar até onde pôde.
Pressão interna e fissuras no Partido Republicano
Nos bastidores do Congresso, os ventos não sopram só contra Trump entre os eleitores, mas dentro de casa. A Câmara, controlada pelos republicanos, aprovou a liberação dos documentos do Departamento de Justiça sobre Epstein. A mudança de postura do presidente — que passou meses resistindo — veio apenas quando ele percebeu que os parlamentares iriam avançar sem o apoio dele.
A reação crítica de aliados tradicionais, como Marjorie Taylor Greene, expôs um incômodo crescente. O índice de aprovação de Trump entre republicanos caiu de 87% para 82%, um recuo modesto, mas simbólico.
Economia pesa mais que política
Se existe uma dor que atravessa o eleitor americano, ela atende por um nome simples: preços. E foi justamente aí que Trump perdeu mais terreno. Só 26% dos entrevistados afirmam que ele administra bem o custo de vida. A inflação permanece alta — 3% em setembro — enquanto o mercado de trabalho dá sinais de enfraquecimento.
Tentando reverter a percepção, o presidente reduziu tarifas sobre produtos importados como café, carne bovina e bananas, mas a medida não foi suficiente para conter o desgaste.
Risco eleitoral à vista
Às vésperas de um novo ciclo legislativo, republicanos já veem a queda de popularidade como um alerta. Mesmo com a percepção de que o partido ainda tem melhor desempenho econômico que os democratas, a insatisfação pode pesar nas eleições para o Congresso.
E a turbulência não deve diminuir tão cedo: apenas 20% dos americanos aprovam a forma como Trump lidou com o caso Epstein, e a maioria acredita que o governo esconde informações — um combustível perigoso num cenário político já inflamado.



