Guerra Urbana
Megaoperação no Rio deixa 121 mortos e revela rede nacional do Comando Vermelho
Ação histórica com 2.500 agentes expõe a dimensão do crime organizado e reacende o debate sobre segurança pública no Brasil
O Rio de Janeiro viveu dias de tensão e barulho de fuzil. A maior operação policial da história do país terminou com 121 mortos — entre eles, nove chefes do Comando Vermelho que atuavam em diferentes estados. Dois dias após o fim da ação, 109 corpos foram identificados pelo Instituto Médico-Legal, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Rio.
Entre os mortos confirmados estão nomes conhecidos no submundo do tráfico, como Chico Rato (AM), DG (BA), Mazola (BA), PP (PA), Rodinha (GO) e Russo (ES). Segundo o secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, os complexos da Penha e do Alemão tornaram-se “centros de decisão nacional do Comando Vermelho”, onde criminosos eram treinados para atuar em outras regiões do país.
A megaoperação, batizada de Contenção, envolveu 2.500 agentes das polícias Civil e Militar, com o objetivo de desarticular a facção e cumprir mais de 200 mandados judiciais. O resultado impressiona: 113 presos, 10 menores apreendidos, 91 fuzis, 26 pistolas e uma tonelada de drogas retiradas de circulação.
Apesar das críticas de entidades de direitos humanos e da ONU, o governo estadual afirma que todas as mortes ocorreram em confrontos armados. O governador Cláudio Castro garantiu que “o trabalho vai continuar”, reforçando que o foco é “livrar a sociedade do tráfico e da milícia”.
Pesquisas apontam que 8 em cada 10 moradores de favelas apoiaram a operação. Ainda assim, o principal alvo, Edgar Alves de Andrade, o Doca — apontado como o maior chefe do CV em liberdade — conseguiu escapar. A recompensa por informações sobre ele chega a R$ 100 mil.



