Belém vai viver um momento histórico. A partir de 10 de novembro, a capital paraense será palco da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP30. É a primeira vez que o Brasil, e especialmente a Amazônia, sedia o evento. O cenário não poderia ser mais simbólico: uma região vital para o equilíbrio ambiental global, mas também uma das mais ameaçadas pela ação humana.
Dez anos após o Acordo de Paris, líderes de quase 200 países se encontram novamente para discutir o futuro climático do planeta. Só que, desta vez, o tom é de urgência. António Guterres, secretário-geral da ONU, foi direto: “Ultrapassar 1,5°C é inevitável”.
Belém: palco e desafio
A escolha da cidade partiu de um pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda em 2022, e recebeu apoio unânime dos países latino-americanos. A ministra Marina Silva destacou a força simbólica da decisão:
“Realizar a COP no coração da floresta é lembrar ao mundo da nossa responsabilidade com o planeta”.
Mas a preparação não tem sido simples. Belém enfrentou críticas por falta de hospedagem e pelos preços altos durante o evento. Até o açaí, alimento símbolo da região, ficou mais caro. Mesmo assim, o governo promete transformar a conferência em um marco de sustentabilidade e inclusão.
Um encontro de decisões
Chefes de Estado da França, Reino Unido, Alemanha e União Europeia já confirmaram presença. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não deve comparecer — o que pode dificultar acordos mais ambiciosos.
Em pauta, estão temas como o financiamento climático, a transição energética e a proteção das florestas tropicais. O Brasil pretende aproveitar o protagonismo da Amazônia para lançar o “Fundo Florestas Tropicais para Sempre”, uma proposta de recompensa pela conservação ambiental.
Belém, por alguns dias, será o centro do planeta. E talvez seja ali que o mundo decida se ainda há tempo — ou não — de reverter o colapso climático.



