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Clima Global

Primeiro rascunho da COP30 expõe disputa por financiamento e futuro dos combustíveis fósseis

Documento brasileiro detalha caminhos divergentes e abre espaço para pressões de países vulneráveis

Um rascunho que mexeu com o tabuleiro climático

O primeiro rascunho da decisão final da COP30, divulgado pelo Brasil, chegou como um sinal forte de que as discussões que estavam emperradas finalmente ganharam direção. São 70 páginas que, segundo análise de Patricia Ellen no CNN Prime Time, funcionam como um mapa político para o que deve ser a fase mais intensa das negociações climáticas.

O documento já nasce mexendo com pilares sensíveis: NDCs, financiamento climático, impactos do comércio internacional e governança. A surpresa veio justamente na inclusão explícita da relação entre comércio e clima — algo que muitos países evitavam admitir, mas que agora entra na mesa como parte essencial do debate.

Financiamento climático: consenso raro e disputas previsíveis

Se existe um ponto em que o rascunho mostra algum alinhamento, é a necessidade de triplicar os recursos destinados à adaptação climática. A partir daí, começam as divergências. Há propostas que chegam ao patamar de US$ 1,3 trilhão em financiamento; outras optam por não mencionar valores, deixando espaço para manobras diplomáticas.

Essa indefinição reflete o mesmo impasse histórico: países vulneráveis cobram cifras concretas, enquanto nações ricas tentam manter margem para negociação. O rascunho apenas cristaliza, com mais clareza, a distância entre expectativas e disponibilidade real.

Combustíveis fósseis: o tema que ninguém consegue contornar

O ponto mais delicado aparece em três versões distintas. Uma fala claramente em apoiar países para superar a dependência de combustíveis fósseis. A segunda apenas cita a transição. A terceira, a mais conservadora, não menciona o tema.

E é nesse silêncio calculado que o embate cresce. Alemanha, Reino Unido, Quênia, Colômbia e Vanuatu pressionam por força real no texto — especialmente Vanuatu, cuja vulnerabilidade às mudanças climáticas torna o tema uma questão de sobrevivência.

Corrida contra o tempo

A presidência brasileira estabeleceu um prazo ousado: encerrar as negociações até o dia 19. Se conseguir, será histórico. Mas, como lembrou a especialista da CNN, tudo depende do quanto os países mais ricos estão dispostos a ceder. E, pelo tom das discussões, o rascunho brasileiro pode ter sido apenas o primeiro movimento de uma disputa intensa que ainda deve se desenrolar.

  • Com informações da CNN
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  • Redação Citizen

    Redação do Portal Citizen

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