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Dor Exilada

Longe de casa, venezuelanos no Brasil sentem a dor dobrar com nova crise no país

Entre tristeza, medo e incertezas, imigrantes acompanham à distância a invasão e o aprofundamento do drama venezuelano

A distância física não diminui o peso do que acontece na Venezuela. Para quem vive hoje no Brasil, a crise ganhou um tom ainda mais amargo. O sentimento mais comum é de tristeza profunda, misturada com medo e uma sensação de impotência difícil de explicar.

Benjamin Mast, produtor audiovisual que vive em Roraima desde 2016, resume isso com poucas palavras: o coração está partido. Ele saiu da Venezuela antes do auge da migração em massa, buscando crescer profissionalmente, não fugir da fome. Mesmo assim, nunca se desligou do país. Ver bombas caindo e, pior, parte da população comemorando a invasão, dói mais do que a própria distância. Para ele, o risco de a Venezuela perder a soberania e virar uma colônia é real — e assustador.

Esse medo também atravessa a fala da professora Livia Esmeralda Vargas González, hoje docente na Unila, no Paraná. A trajetória acadêmica no Brasil trouxe oportunidades que seriam impossíveis em seu país, mas o preço emocional é alto. A crise transformou um doutorado em migração definitiva. A cada notícia, a preocupação volta para quem ficou: pais, amigos, família tentando sobreviver sem energia, comida ou segurança.

Livia fala de uma dor que não cabe em palavras. Uma ferida aberta por anos de repressão, agora aprofundada pela intervenção estrangeira. A incerteza virou rotina: não saber se haverá novos bombardeios, se será possível visitar ou abraçar quem ama.

Já Maria Elias, que encontrou na culinária uma forma de recomeçar no Brasil, vive dividida entre a esperança e a confusão. Quer ver a Venezuela renascer, mas sabe que o caminho é nebuloso. Entre versões, disputas e interesses externos, o que fica é o desejo simples — e poderoso — de um país livre, soberano e de pé outra vez.

  • Com informações da Agência Brasil
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  • Redação Citizen

    Redação do Portal Citizen

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