A Venezuela vive dias de respiração curta. Entre expectativa e cautela, María Corina Machado resolveu falar sem rodeios: para ela, o governo interino liderado por Delcy Rodríguez é “absolutamente temporário”. E quando diz temporário, não é força de expressão. “O objetivo é que seja o mais curto e rápido possível”, afirmou, num tom de quem conhece o peso da palavra transição.
Em entrevista ao La Patilla, Corina deixou claro que, na visão dela, não há caminho de volta. A mudança seria irreversível. Dá pra sentir, nas entrelinhas, uma mistura de alívio com urgência. Afinal, depois de quase um ano escondida, a líder oposicionista deixou o país em dezembro e passou por Oslo, onde recebeu o Prêmio Nobel da Paz — um gesto simbólico que reforça seu capital político fora das fronteiras.
Para Corina, o atual governo representa apenas uma etapa anterior ao que ela chama de avanço real. E há um ponto que ela não abre mão: a libertação imediata dos presos políticos. Sem isso, diz, não existe transição de verdade. É uma cobrança direta, que ecoa entre familiares e organizações de direitos humanos.
A captura de Nicolás Maduro, em uma operação militar dos Estados Unidos em Caracas, mudou o tabuleiro e trouxe novas perguntas. Questionado, Donald Trump demonstrou ceticismo sobre a capacidade de Corina liderar o país, alegando falta de apoio popular. Ela, por sua vez, prometeu voltar à Venezuela o quanto antes. Onde está agora? Ninguém sabe ao certo. Mas a mensagem ficou: para Corina, o tempo do interino já começou a contar para trás.



