A primeira rodada da pesquisa Genial Quaest para 2026 escancara um cenário que chama atenção logo de cara: os dois nomes mais conhecidos da disputa também são os mais rejeitados. O dado é direto e difícil de ignorar. Entre os eleitores ouvidos, 54% afirmam conhecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dizem que não votariam nele. No caso de Flávio Bolsonaro, esse percentual sobe um ponto e chega a 55%.
Os números ajudam a entender o tamanho do impasse. Lula ainda mantém uma base fiel: 43% dizem que o conhecem e votariam nele. Flávio aparece atrás, com 34% de intenção de voto entre os que o conhecem. Há também quem não conheça os candidatos — 3% no caso de Lula e 11% no de Flávio —, um detalhe que pode pesar conforme a campanha avance.
O levantamento revela mais do que percentuais. Mostra uma eleição cada vez mais ancorada em campos políticos consolidados, em que petismo e bolsonarismo contam com eleitores incondicionais para sustentar suas candidaturas, mesmo diante da rejeição elevada. A estratégia, de ambos os lados, parece clara: chegar ao segundo turno apoiado na própria militância.
Flávio Bolsonaro sinaliza uma campanha focada no confronto direto com Lula e o PT, repetindo um roteiro já conhecido da direita. Lula, por sua vez, tende a apostar na comparação com o último governo Bolsonaro, apresentando-se como alternativa mais segura.
Especialistas costumam ver rejeição acima de 40% como obstáculo sério. Ainda assim, os dados indicam que, mesmo rejeitados, os dois podem monopolizar a disputa. Resta observar se forças de centro conseguirão, a tempo, oferecer ao eleitor um caminho fora dessa polarização.



