O fim do tratado New Start, que limitava os arsenais nucleares dos Estados Unidos e da Rússia, marca uma virada silenciosa, mas profunda, na geopolítica global. O acordo expirou nesta quinta-feira (5) e, com ele, desaparece o último freio formal que regulava o poderio atômico das duas maiores potências nucleares do planeta, responsáveis por cerca de 90% das ogivas existentes.
À primeira vista, o impacto parece restrito a Washington e Moscou. Mas não é bem assim. A leitura feita por analistas internacionais é direta: quando quem dita as regras deixa de segui-las, outros países passam a se sentir menos obrigados a respeitar limites. É aí que o tabuleiro se expande.
A China surge como uma das principais beneficiadas. Em 2010, quando o tratado foi assinado, Pequim ainda mantinha um arsenal considerado modesto. Hoje, a estimativa é de cerca de 600 ogivas, com projeções de crescimento acelerado até o fim da década. Sem um acordo que imponha parâmetros globais, o avanço chinês tende a ocorrer com menos questionamentos.
O Irã também entra nesse cenário com mais margem de manobra. Embora não haja consenso sobre a posse de uma bomba nuclear, o país já domina tecnologia e material suficientes para isso. O fim do New Start enfraquece argumentos por inspeções e limitações, dificultando negociações diplomáticas.
Já a Coreia do Norte, que mantém testes frequentes de mísseis, passa a se sentir menos isolada. Com outras nações ampliando seus arsenais, Pyongyang encontra um ambiente internacional mais permissivo.
Outro ponto sensível é o fim das inspeções internacionais previstas no tratado. Sem esse mecanismo de verificação, cresce a desconfiança entre Estados e o risco de uma nova corrida armamentista volta ao centro do debate global.



