A retomada dos trabalhos no Congresso recolocou a jornada de trabalho no centro do debate político nacional. Em 2026, o governo federal passou a tratar a revisão da escala 6×1 como prioridade, defendendo sua extinção sem redução salarial. A proposta, impulsionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), passou a ser observada pelo mercado não apenas como pauta trabalhista, mas como um tema com reflexos fiscais e econômicos relevantes.
A discussão ganhou tração em um momento sensível do calendário político. No programa Mapa de Risco, do Infomoney, analistas apontaram que o avanço do tema coincide com a aproximação do período eleitoral. Para a analista de política da XP, Bárbara Baião, “essa é possivelmente a última eleição do presidente Lula. O PT deve usar a campanha para tentar se reconectar com pautas muito sensíveis à sua base eleitoral, especialmente a dos trabalhadores”.
Do ponto de vista técnico, os estudos divergem. Nota do Centro de Liderança Pública estima que o fim da escala 6×1 poderia resultar na perda de mais de 600 mil empregos formais, com impacto maior em setores intensivos em mão de obra. Já levantamentos do Dieese indicam efeito oposto, com potencial geração de até 3,6 milhões de postos formais com a redução da jornada para 40 horas semanais.
Para Bianca Lima, analista da XP, o foco do mercado está menos no mérito e mais no ambiente político. “Se esse tema for pautado nos plenários, a chance de progresso é alta, porque é muito difícil ir contra uma pauta tão popular às vésperas da eleição”, avaliou.
Entre analistas, a leitura predominante é de que, se avançar, a proposta deve seguir um caminho intermediário, como uma escala 5×2, mantendo cautela sobre custos, salários e impactos econômicos.



