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Alerta Nacional

Excesso de peso atinge mais de 60% dos adultos no Brasil

Ministério da Saúde aponta avanço da obesidade e especialista aponta fatores alimentares, comportamentais e falhas em políticas de prevenção

O excesso de peso já afeta seis em cada dez adultos no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. Entre 2006 e 2024, a obesidade mais que dobrou, passando de 11,8% para 24,3% da população adulta. No mesmo período, o sobrepeso e a obesidade combinados atingiram 61,4% dos brasileiros, mantendo um crescimento contínuo ao longo de quase duas décadas.

O levantamento, feito pelo sistema Vigitel, mostra que o avanço ocorre de forma semelhante entre homens e mulheres. Entre os homens, a obesidade passou de 11,4% para 23,8%; entre as mulheres, subiu de 12,1% para 24,8%. Já o excesso de peso superou 60% entre os homens e se aproximou desse patamar entre as mulheres.

Para o nutrólogo Dr. José Israel Sanchez Robles, os números refletem um fenômeno estrutural.

“Os dados demonstram que o ganho de peso deixou de ser uma ocorrência isolada para se configurar como um fenômeno estrutural, diretamente associado a fatores relacionados ao estilo de vida contemporâneo, aos padrões alimentares inadequados e ao ambiente obesogênico no qual grande parte da população está inserida”, explica.

Segundo ele, “a obesidade representa a manifestação mais grave desse processo crônico e multifatorial, estando fortemente relacionada à maior incidência de doenças metabólicas e cardiovasculares, como diabetes tipo 2, hipertensão e diversas cardiopatias”.

A análise por idade aponta que o crescimento é mais intenso na meia-idade. Entre 35 e 44 anos, a obesidade passou de 12,8% para 27% entre 2006 e 2023, mas a tendência de aumento é observada em todas as faixas etárias adultas. “Mesmo entre adultos jovens, os índices continuam crescendo, representando um alerta importante para o futuro da saúde da população”, ressalta José Israel.

O relatório também destaca hábitos alimentares inadequados: embora o consumo de frutas e hortaliças tenha aumentado, ele ainda está abaixo do recomendado, enquanto alimentos ultraprocessados permanecem muito presentes na dieta. “A redução do consumo de refrigerantes é um dado positivo, mas isolado”, comenta o especialista.

O país ainda se distancia das metas do Plano de Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis, que previa conter a obesidade abaixo de 20% até 2030. “Sem medidas efetivas de prevenção, educação nutricional e incentivo à atividade física, a tendência é que o cenário piore nas próximas décadas”, conclui o nutrólogo.

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  • Redação Citizen

    Redação do Portal Citizen

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