Debate Global
ONU propõe supervisão humana da IA e enfrenta resistência dos Estados Unidos
Nova comissão internacional quer governança baseada em ciência, enquanto governo norte-americano rejeita controle global
A discussão sobre os limites da inteligência artificial ganhou novo capítulo nesta sexta-feira (20), durante a Cúpula sobre o Impacto da IA, em Nova Délhi. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, anunciou a criação de um Painel Científico Internacional Independente sobre Inteligência Artificial, com 40 especialistas designados pela Assembleia Geral.
A proposta é clara: garantir “controle humano” sobre sistemas cada vez mais autônomos. Segundo Guterres, a governança baseada na ciência pode tornar o avanço tecnológico mais seguro e justo. Ele defendeu menos alarmismo e mais decisões fundamentadas em evidências.
EUA rejeitam governança global da IA
A reação veio da delegação norte-americana. O conselheiro de tecnologia da Casa Branca, Michael Kratsios, afirmou que o governo dos Estados Unidos rejeita “totalmente” qualquer modelo de governança global da IA. Para ele, submeter a tecnologia a estruturas centralizadas pode frear inovação e liberdade de expressão.
O embate expõe duas visões distintas: de um lado, a regulação multilateral; de outro, a defesa de um ambiente menos burocrático.
Pressão por regras e investimentos bilionários
O debate ocorre em meio à expansão acelerada da IA generativa. O CEO da OpenAI, Sam Altman, defendeu a adoção urgente de normas de segurança. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertou para o risco de aprofundamento das desigualdades.
A Índia, anfitriã do encontro, busca ampliar investimentos no setor e se posicionar entre os protagonistas globais. A próxima cúpula está prevista para Genebra, em 2027.
Enquanto governos divergem sobre o modelo ideal, uma certeza atravessa o debate: a inteligência artificial deixou de ser promessa distante e passou a exigir decisões concretas sobre seu futuro e seus limites.



