O apagão da internet no Irã tornou quase impossível determinar a real extensão da repressão contra os protestos que pedem democracia e reclamam do alto custo de vida. Entidades de direitos humanos que operam fora do país estimam mais de 500 mortes e mais de 10 mil prisões, mas esses números não podem ser confirmados de forma independente.
As manifestações ocorrem em todo o país, inclusive em cidades distantes de Teerã, complicando a tabulação de dados. Além disso, muitos grupos que divulgam estatísticas estão ligados à oposição e a dissidentes exilados, o que exige cautela na interpretação das informações.
O bloqueio digital implementado pelo regime não é apenas um efeito colateral da crise: ele é parte central da estratégia de controle da narrativa, dificultando que notícias sobre violência e repressão saiam do país e impedindo a comunicação entre manifestantes.
Apesar do controle, vídeos e relatos confirmados pela imprensa internacional, como CNN e outros veículos, mostram cenas de violência intensa nas ruas iranianas. No entanto, os números oficiais do governo permanecem indisponíveis e sua veracidade é impossível de checar.
O governo iraniano também acusa agentes estrangeiros, como Israel e Estados Unidos, de estimular os protestos e provocar violência, embora essas alegações sejam igualmente difíceis de verificar.
Enquanto a comunicação continuar bloqueada e jornalistas não tiverem acesso livre, a verdadeira dimensão da repressão continuará desconhecida — e possivelmente mais grave do que qualquer estimativa divulgada até agora.



