O Brasil se consolidou, nos últimos dez anos, como o principal destino de venezuelanos em busca de refúgio no país. Foram 262 mil pedidos registrados no período, o maior contingente de um único país em território brasileiro. Ainda assim, no cenário global, o Brasil aparece na quarta posição entre os países que mais recebem refugiados venezuelanos, atrás da Colômbia, do Peru e dos Estados Unidos.
Os números ajudam a dimensionar a crise. Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, cerca de 6,5 milhões de venezuelanos vivem hoje fora do país. No Brasil, apenas em 2025, quase 20 mil venezuelanos solicitaram refúgio, dentro de um total de pouco mais de 69 mil pedidos recebidos. Roraima, porta de entrada pela fronteira norte, segue como principal ponto de registro.
Apesar do volume expressivo, os dados indicam desaceleração no ritmo das solicitações. O pico ocorreu em 2019, após anos de agravamento da crise econômica venezuelana. Desde então, o fluxo perdeu intensidade e, em 2024, Cuba passou a liderar os pedidos de refúgio no Brasil.
Após a recente ação dos Estados Unidos na Venezuela, o Exército brasileiro informou que não houve aumento no fluxo migratório em Pacaraima. Mesmo assim, o governo federal mantém atenção redobrada. O Ministério da Saúde enviou equipes para monitorar a situação sanitária na fronteira e avalia medidas de contingência, se necessário.
Em Roraima, Estado e Exército alinham estratégias preventivas. Em São Paulo, a avaliação é de que o fluxo tende a diminuir. Entre números, cautela e planejamento, o Brasil segue acompanhando de perto um cenário ainda em movimento.



