Senado em clima de expectativa
A recém-instalada CPI do Crime Organizado no Senado já começa cercada de expectativa e tensão. Mais de 80 requerimentos foram protocolados antes mesmo da primeira sessão efetiva, incluindo pedidos para ouvir líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e integrantes de facções que atuam em presídios de vários estados. A comissão quer investigar a expansão do crime organizado e possíveis conexões com agentes públicos.
Foco em resultados, não em espetáculo
O relator, senador Sérgio Moro (União-PR), tem repetido que não pretende transformar a CPI em “palanque eleitoral”. Segundo ele, o objetivo é apresentar resultados concretos, com base em provas e informações das forças de segurança.
“A CPI precisa fortalecer o Estado, não gerar discursos para redes sociais”, afirmou.
Apesar do tom cauteloso, os bastidores apontam que o clima deve esquentar com o avanço das oitivas.
Facções, fronteiras e política
Entre os temas mais sensíveis estão o tráfico de drogas nas fronteiras, o financiamento de campanhas por organizações criminosas e o controle do crime dentro e fora dos presídios. Parlamentares da base e da oposição já sinalizaram disputas por protagonismo nas sessões, o que pode acirrar o debate.
A CPI ainda deve convocar ministros da Justiça e da Defesa para esclarecer ações de combate ao crime nas fronteiras e o uso de inteligência no enfrentamento às facções.
Nos corredores do Senado, a sensação é de que o país acompanhará uma das CPIs mais explosivas dos últimos anos — com potencial para revelar muito além do que se vê nas manchetes.



