A captura de Nicolás Maduro colocou Delcy Rodríguez no centro do tabuleiro político venezuelano. Vice-presidente e agora presidente interina por decisão do Supremo Tribunal, ela assume em um dos momentos mais delicados da história recente do país, sob pressão externa e com a missão declarada de preservar a ordem constitucional.
Ascensão rápida em cenário de crise
Delcy não é um nome novo no poder. Advogada, formada na Universidade Central da Venezuela, construiu carreira dentro do chavismo desde os tempos de Hugo Chávez. Passou por ministérios estratégicos, comandou a diplomacia e, mais recentemente, acumulou a vice-presidência com a pasta do petróleo. Isso ajuda a entender por que seu nome ganhou força como sucessora imediata.
Discurso firme e recado interno
Nas primeiras declarações após a prisão de Maduro, Rodríguez adotou um tom duro. Classificou a ação dos Estados Unidos como ilegal, falou em violação da soberania e reafirmou que, para ela, Maduro segue sendo o presidente legítimo. O discurso mira o público interno e busca manter coesa a base política e militar do regime.
Trânsito internacional e pragmatismo
Apesar da retórica, Delcy é vista como uma operadora habilidosa. Mantém diálogo com China, Turquia e Irã e, nos bastidores, também tem canais abertos com Washington. Essa combinação de firmeza pública e pragmatismo reservado alimenta a percepção de que ela pode conduzir negociações sensíveis, especialmente envolvendo petróleo.
Poder concentrado e futuro incerto
Sancionada por EUA e União Europeia, Delcy Rodríguez carrega um histórico controverso. Ainda assim, reúne influência, experiência e contatos. Se isso será suficiente para sustentar uma transição estável ou apenas adiar novos confrontos, é algo que a Venezuela — e o mundo — começam a observar de perto.
- Com informações de Flávia Marreiro, de São Paulo



