Viagem Apostólica
Em Niceia, Papa Leão XIV pede superação das divisões e reafirma compromisso com a unidade dos cristãos
Durante encontro ecumênico na Turquia, Papa defende reconciliação global, rejeita uso político da religião e reforça diálogo entre Igrejas
No segundo dia de sua visita à Turquia, Leão XIV viajou de Istambul a Iznik, antiga Niceia, para um momento simbólico e carregado de significado. À beira das escavações da Basílica de São Neófito, o Papa se reuniu com o patriarca ecumênico Bartolomeu I, líderes religiosos e representantes de diversas comunhões cristãs para um encontro de oração que marcou os 1.700 anos do Primeiro Concílio de Niceia — marco fundamental da fé cristã.
Com um discurso firme e ao mesmo tempo afetuoso, o Santo Padre retomou a essência do que estava em jogo no concílio do século IV: a fé em Cristo como fundamento comum entre todas as Igrejas. Ele lembrou que, mesmo com liturgias e tradições distintas, esse núcleo compartilhado já une milhões de cristãos no mundo. E foi direto: “somos todos convidados a superar o escândalo das divisões”, disse, citando Santo Agostinho para reforçar que, no único Cristo, “somos um”.
O Papa insistiu que a reconciliação interna entre cristãos não é apenas um imperativo espiritual — é também um testemunho necessário num mundo marcado por conflitos, violência e rupturas sociais.
Leão XIV ampliou o olhar e falou de uma fraternidade que ultrapassa etnias, nacionalidades ou crenças. Para ele, nenhuma religião pode justificar guerra ou violência. Fundamentalismo e fanatismo, afirmou, precisam ser rejeitados com clareza. Os caminhos possíveis são o encontro, o diálogo e a colaboração.
Ao agradecer Bartolomeu I e os chefes das Igrejas presentes, o Papa destacou a importância de celebrar o concílio exatamente onde ele aconteceu. Encerrando o encontro, fez um pedido que soou quase como um suspiro coletivo: que este aniversário traga “frutos abundantes de reconciliação, unidade e paz”.



