Descoberta
Fóssil desafia a ciência ao revelar forma de vida sem parentes conhecidos
Achado na Escócia aponta organismo gigante de 410 milhões de anos que não se encaixa entre plantas ou fungos
Uma descoberta recente no nordeste da Escócia está mudando o jeito como a ciência olha para a vida na Terra primitiva. Um fóssil com cerca de 410 milhões de anos revelou um organismo que não é planta, nem fungo, nem qualquer outro grupo conhecido atualmente. É algo que simplesmente não existe mais.
Encontrado em Aberdeenshire, o fóssil pertence ao gênero Prototaxites, há décadas motivo de debate entre pesquisadores. Por muito tempo, ele foi tratado como um fungo primitivo. Agora, um estudo publicado na revista Science Advances mostra que essa classificação não se sustenta. A análise detalhada da estrutura e da composição química indica que se trata de uma linhagem evolutiva complexa, grande e completamente extinta.
O material veio do sílex de Rhynie, um depósito geológico raro pela preservação quase intacta de organismos antigos. Segundo os pesquisadores, esse ser vivo podia chegar a até oito metros de altura, o que o tornava o maior organismo terrestre de sua época, se destacando em um ambiente ainda dominado por plantas simples e pequenos animais.
Os cientistas explicam que o Prototaxites fazia parte de uma linhagem eucariótica sem equivalentes modernos. Em termos simples: não deixou descendentes conhecidos. É um desses experimentos da natureza que surgem, prosperam por um tempo e desaparecem sem deixar rastros além das rochas.
O fóssil agora integra a coleção dos Museus Nacionais da Escócia e ajuda a contar uma história pouco conhecida da Terra, quando a vida ainda testava caminhos diferentes para crescer, ocupar espaço e se tornar complexa. É um lembrete de que o passado do planeta guarda muito mais mistérios do que a gente imagina.



