No meio da tensão geopolítica que envolve a Groenlândia e os Estados Unidos, surgiu algo que chamou atenção não só pelos protestos nas ruas, mas também pela forma criativa de expressar desaprovação: um hino de protesto. Criado por dois amigos de Nuuk — um músico profissional e um policial que toca violão —, a música Kalaallit Nunaat, Kalaallit Pigaat se tornou uma espécie de trilha sonora para a resistência dos groenlandeses contra as intenções manifestadas por Donald Trump em relação ao território.
O que começou como uma expressão cultural ganhou força rapidamente. A canção passou a ser entoada em manifestações, especialmente naquele grande protesto em Nuuk no sábado (17), quando milhares foram às ruas para deixar claro que a Groenlândia “pertence aos groenlandeses”.
Os versos que ecoam pelos alto-falantes trouxeram um sentido coletivo ao movimento — mais do que apenas uma crítica política, virou um símbolo de unidade e identidade local em meio às ameaças externas.
Os protestos também se espalharam pela Dinamarca, com pessoas marchando em Copenhague e outras cidades sob lemas como “A Groenlândia não está à venda”, enquanto contestavam o que muitos veem como pressão dos EUA para ampliar sua influência sobre a ilha ártica.
Essa resposta cultural mostra como música e protesto caminham lado a lado em momentos de disputa política — transformando uma canção em algo que representa um sentimento coletivo de defesa da autonomia e da cultura local.



