Café em Alta
Safra de café 2026 pode superar 70 milhões de sacas e reposicionar o Brasil no mercado global
Projeções indicam recuperação do arábica, avanço do conilon e impacto direto nos estoques mundiais
O campo respondeu. Depois de anos marcados por clima irregular e estoques apertados, o Brasil caminha para uma safra de café histórica em 2026. As primeiras estimativas indicam recuperação consistente, especialmente do arábica, e números que podem ultrapassar 70 milhões de sacas.
A Conab projeta 66,2 milhões de sacas, alta de 17,1% frente a 2025. O arábica deve alcançar 44,09 milhões de sacas, avanço de 23,3%. Já o conilon (robusta) soma 22,09 milhões, crescimento de 6,4%. O cenário ganhou força com chuvas favoráveis no fim de 2025 e temperaturas mais amenas no pré-florada, que ajudaram no pegamento.
Outras consultorias enxergam números ainda maiores. A Hedgepoint trabalha com intervalo entre 71 e 74,4 milhões de sacas. A StoneX estima 70,7 milhões, apesar de apontar limitações climáticas. Itaú BBA projeta 69,3 milhões. Há divergências nos volumes, mas o consenso é claro: a produção cresce.
Clima ainda preocupa produtores
Nem tudo são flores. Relatórios de campo indicam que geadas, chuvas de granizo e períodos de seca afetaram o potencial produtivo em algumas regiões. A Pine Agronegócios, após visitas técnicas, reduziu estimativas iniciais tanto para arábica quanto para conilon.
Estoques globais e consumo no radar
O mundo observa. Entre 2021 e 2024, o mercado acumulou déficits que reduziram estoques globais em mais de 22 milhões de sacas. A safra 2026/27 surge como peça-chave para recomposição.
O consumo, porém, segue como variável sensível. Projeções indicam demanda global entre 176 e 187 milhões de sacas. Dependendo desse ritmo, o superávit pode ser confortável ou manter o mercado em alerta.
O Brasil, maior produtor mundial, volta ao centro do tabuleiro. A safra promete fôlego, mas o equilíbrio entre clima, consumo e estoques ainda vai ditar o rumo dos preços.



