Uma antiga divergência entre Brasil e Uruguai voltou ao centro do debate diplomático após a instalação do Parque Eólico Coxilha Negra, no Rincão de Artigas, área localizada em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul. O território, com cerca de 237 km², é reivindicado pelo governo uruguaio desde 1934, sob a alegação de erro histórico na demarcação da fronteira.
A contestação ganhou novo peso em 2022, quando a Eletrobras iniciou a implantação do empreendimento, projetado para abastecer cerca de 1,5 milhão de consumidores com energia renovável. Em junho de 2025, o Uruguai formalizou uma queixa diplomática pedindo a revisão dos limites territoriais.
A origem do impasse remonta ao tratado assinado em 1851, que definiu as fronteiras entre os dois países após a independência uruguaia. Décadas depois, o capitão uruguaio Villa Seré apontou uma possível falha na interpretação dos marcos fronteiriços, argumento que passou a sustentar a reivindicação de Montevidéu ao longo do tempo.
Do lado brasileiro, o entendimento é de que a área pertence legalmente a Santana do Livramento. Em 1985, a construção da Vila Thomaz Albornoz reforçou a presença administrativa do Brasil na região, o que aumentou o desconforto uruguaio.
Além do histórico político, o local ganhou relevância estratégica com o parque eólico, que recebeu investimento estimado em R$ 2 bilhões e conta com 72 aerogeradores. Em meio à transição global para fontes limpas, a área passou a ter peso econômico e geopolítico maior.
O Itamaraty informou que pretende tratar o tema por vias diplomáticas, mantendo a tradição de diálogo entre os dois países. Não há, até o momento, previsão para uma solução definitiva do impasse.



