EUA ampliam cerco e colocam Maduro na lista de grupos terroristas
Quando a notícia caiu no início da manhã, o clima político em Washington e Caracas pareceu travar no mesmo segundo. A partir desta segunda-feira (24), Nicolás Maduro e figuras centrais do seu governo passam a ser oficialmente tratados pelos Estados Unidos como integrantes de uma organização terrorista estrangeira. É o tipo de medida que não surge do nada — e nunca chega sozinha.
Cartel de los Soles no centro da crise
A designação recai sobre o chamado Cartel de los Soles, um termo que especialistas usam mais para descrever engrenagens internas e corruptas do Estado venezuelano do que um cartel formal. Ainda assim, ao ser elevado ao patamar de organização terrorista, o grupo permite à Casa Branca acionar ferramentas jurídicas que apertam ainda mais o cerco contra Maduro. Não se fala, por enquanto, em autorização explícita para uso de força letal, mas ninguém no entorno do governo Trump esconde que a postura militar ganha novo fôlego.
Pressão militar e dúvidas internas nos EUA
A movimentação coincide com a presença de mais de uma dúzia de navios de guerra e cerca de 15 mil tropas americanas posicionadas na região, dentro da Operação Lança Sul. A estratégia tem sido reforçada por ataques a embarcações usados em ações antidrogas, enquanto o presidente Trump avalia cenários que vão de ataques cirúrgicos a simplesmente manter tudo como está.
Reação pública e dilemas da Casa Branca
O desconforto interno é claro: 70% dos americanos rejeitam uma ação militar na Venezuela. Mesmo assim, Washington aposta que o aumento da pressão seja suficiente para empurrar Maduro rumo a uma renúncia negociada. O ditador, por sua vez, segue negando qualquer ligação com tráfico ou cartel — e insiste que tudo não passa de construção política.



