Beber faz parte da rotina de muita gente. Um encontro com amigos, um almoço em família, o fim de um dia puxado. O problema começa quando o hábito deixa de ser escolha e vira necessidade. No Brasil, esse limite tem sido ultrapassado com mais frequência do que se imagina. Dados do IBGE mostram que o alcoolismo responde por 10,5% das mortes relacionadas ao álcool no país, o que representa cerca de 21 óbitos por dia.
O cenário preocupa também nos hospitais. Entre 2022 e 2023, as internações por alcoolismo cresceram 2,8%, o equivalente a quatro hospitalizações por hora. Os números fazem parte do anuário “Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025”, que revela ainda que 11 estados já superam a média nacional de mortes ligadas ao consumo excessivo.
Quando o corpo e o comportamento dão sinais
Segundo especialistas, o consumo passa do limite quando beber deixa de estar ligado ao lazer. Tentativas frustradas de reduzir a quantidade, uso frequente para aliviar ansiedade ou dormir melhor e a sensação de que só dá para “funcionar” com álcool são alertas claros. A tolerância também pesa: quando é preciso beber mais para sentir o mesmo efeito, o organismo já está reagindo.
Antes mesmo de surgirem problemas físicos, o impacto aparece no dia a dia. Irritabilidade, falhas de memória, atrasos no trabalho, conflitos constantes e o hábito de esconder a quantidade ingerida costumam ser os primeiros sinais percebidos por quem convive.
Quantidade importa, mas não é tudo
Como referência, profissionais usam a chamada dose padrão — uma lata de cerveja, uma taça de vinho ou uma dose de destilado. Acima de quatro doses por dia ou 14 por semana para homens, e três por dia ou sete por semana para mulheres, o risco aumenta.
Buscar ajuda cedo, ao notar dificuldade de controle ou sintomas como ansiedade e insônia, pode evitar que o problema avance. Cuidar da saúde mental também passa por olhar com atenção para a relação com o álcool.
- Com informações da Metrópoles



