A decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), de determinar que os celulares apreendidos na operação contra supostas fraudes do Banco Master fiquem sob responsabilidade da Procuradoria-Geral da República (PGR) foi recebida internamente como um movimento estratégico. Nos corredores do órgão, a leitura é clara: abre-se uma janela para reafirmar o poder de investigação do Ministério Público.
A medida ocorre em um contexto conhecido nos bastidores da Justiça, marcado por disputas históricas de protagonismo entre o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) nas grandes apurações criminais. Embora o procurador-geral da República, Paulo Gonet, não tenha solicitado formalmente a guarda do material, deixou registrado que a PGR tem plena capacidade técnica para realizar a extração e análise dos dados.
Estrutura técnica como argumento
Os 39 celulares e 31 computadores apreendidos ficarão sob responsabilidade da Secretaria de Perícia, Pesquisa e Análise (Sppea), setor especializado da PGR. Membros do órgão destacam que a unidade dispõe de softwares adequados, equipe qualificada e histórico recente de atuação em casos complexos, como nas investigações dos atos de 8 de janeiro de 2023.
Até a tarde desta quinta-feira (15), os equipamentos ainda não haviam sido entregues à PGR, já que as apreensões ocorreram em diferentes estados, exigindo logística prévia por parte da PF.
Destino indefinido de outros bens
Ainda não há definição sobre a guarda de outros itens apreendidos, como relógios e 23 carros de luxo. A avaliação interna é de que a PGR não dispõe de estrutura para armazenar veículos, o que deve manter esses bens sob responsabilidade da Polícia Federal, como ocorre em operações semelhantes.
O desfecho do caso segue em aberto, mas a decisão já reposiciona forças em um cenário institucional sensível.



