Ciência Brasileira
Pesquisa da UFRJ permite recuperação de movimentos em pacientes com lesão medular
Estudo coordenado pela bióloga Tatiana Coelho de Sampaio apresenta resultados inéditos com proteína experimental aplicada na medula espinhal
Lesões na medula espinhal sempre foram tratadas pela medicina como quadros de difícil reversão. Quando os neurônios são danificados, a recuperação costuma ser limitada. Um estudo desenvolvido na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no entanto, vem mudando esse cenário e chamando a atenção da comunidade científica.
A pesquisa é liderada pela bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, professora da UFRJ, responsável pelo desenvolvimento da polilaminina, uma proteína experimental capaz de estimular a reconexão de neurônios lesionados. O composto já foi aplicado em pacientes com lesões graves na medula espinhal e apresentou resultados considerados inéditos: seis pessoas diagnosticadas com tetraplegia voltaram a andar, enquanto outros pacientes recuperaram movimentos e sensibilidade.
O trabalho é resultado de quase 30 anos de pesquisa e tem sido citado por especialistas como um dos avanços mais relevantes da medicina brasileira recente. A polilaminina é inspirada em proteínas presentes no desenvolvimento embrionário e pode ser obtida a partir de material biológico humano, sendo aplicada diretamente no local da lesão. A substância atua estimulando o crescimento dos axônios, responsáveis pela transmissão dos impulsos nervosos.
Entre os casos acompanhados estão pacientes que apresentaram resposta em menos de 48 horas após a aplicação, com retomada de sensibilidade e contração muscular. Os procedimentos foram realizados em hospitais públicos, com acompanhamento médico e autorização judicial para uso experimental.
Apesar dos resultados promissores, o tratamento ainda não está disponível ao público. A pesquisa já teve a fase 1 dos testes clínicos aprovada pela Anvisa, que avalia a segurança do método. As próximas etapas devem ampliar os estudos para comprovar a eficácia em maior escala. O desenvolvimento ocorre em parceria com o laboratório brasileiro Cristália, e o investimento estimado para viabilizar o medicamento gira em torno de R$ 28 milhões.



