Belém virou o epicentro das discussões globais sobre o clima. A cidade, com seu calor úmido e a energia vibrante da Amazônia, recebe até o dia 21 de novembro a 30ª Conferência das Partes (COP30), reunindo representantes de 194 países e da União Europeia. É a primeira vez que o evento acontece no coração da floresta, e o simbolismo é poderoso: discutir o futuro do planeta dentro do bioma que mais regula o clima da Terra.
“A COP30 é a COP da verdade”, disse o presidente Lula na abertura. O recado foi direto: o mundo precisa agir, e rápido, para abandonar os combustíveis fósseis e garantir recursos que sustentem a transição energética. Não é mais tempo de promessas vazias. Países ricos devem colocar na mesa o que há anos prometem: o financiamento para que nações em desenvolvimento possam crescer sem destruir o planeta.
Financiamento e confiança
Esse é o maior impasse da conferência. Sem dinheiro, não há como acelerar a mudança para uma economia de baixo carbono. O “Mapa do Caminho de Baku a Belém” tenta dar forma ao compromisso de US$ 1,3 trilhão anuais em financiamento climático. O Brasil apresentou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, com promessas de mais de US$ 5,5 bilhões para proteger biomas e apoiar comunidades tradicionais.
A força da sociedade civil
Além das negociações oficiais, a COP30 pulsa nas ruas de Belém. Povos indígenas, ribeirinhos, cientistas, jovens e ambientalistas de todo o mundo se reúnem para propor soluções e cobrar coerência.
“Clima não é papo de diplomata — é o preço do café, da luz, da comida”, lembra Márcio Astrini, do Observatório do Clima.
Entre barqueatas, debates e marchas, o recado que ecoa da Amazônia é claro: o tempo das promessas acabou. Agora, é hora de cumprir.
- Com informações da Agência Brasil



