Os Correios anunciaram um amplo plano de reestruturação que prevê até 15 mil demissões e o fechamento de cerca de mil agências em todo o país. A proposta foi apresentada nesta segunda-feira, em Brasília, e faz parte do Plano de Reestruturação 2025–2027, que busca conter despesas, reorganizar a operação e reequilibrar as contas da estatal.
Segundo o cronograma divulgado, os desligamentos devem ocorrer por meio de um programa de demissão voluntária. A previsão é de que 10 mil funcionários deixem a empresa em 2026 e outros 5 mil em 2027. Além disso, o plano inclui a ampliação de parcerias com a iniciativa privada e mudanças no modelo de negócios.
A reestruturação será executada em três etapas. A primeira atravessa todo o período do plano e tem foco na modernização da empresa. Na sequência, a direção pretende avançar na reorganização operacional. A meta final é retomar a lucratividade até 2027, após anos de resultados negativos.
Paralelamente às mudanças internas, os Correios firmaram contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco instituições financeiras. A empresa avalia, no entanto, que ainda será necessário captar mais R$ 8 bilhões ao longo de 2026 para garantir a execução das medidas. Os recursos devem ser usados, principalmente, para quitar compromissos em atraso e financiar capital de giro.
O anúncio ocorre em meio a um cenário delicado. Entre janeiro e setembro, a estatal acumulou prejuízo de R$ 6,1 bilhões. Ao mesmo tempo, trabalhadores estão em greve desde 16 de dezembro, após impasse nas negociações do acordo coletivo. Uma nova rodada de negociação está marcada, com possibilidade de julgamento do dissídio coletivo caso não haja acordo.



