As novas diretrizes alimentares divulgadas nesta quarta-feira (7) pelo governo dos Estados Unidos marcam uma mudança relevante no discurso oficial sobre o que deve ir ao prato dos americanos. Pela primeira vez em décadas, a pirâmide alimentar foi invertida, com destaque para carne vermelha, laticínios integrais e outras fontes de proteína animal.
Durante a apresentação, o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., resumiu a orientação em uma frase direta: comer “comida de verdade”. O documento recomenda reduzir alimentos altamente processados e ricos em açúcar, associados a doenças crônicas, e reforça o consumo de proteínas — agora estimado entre 1,2 e 1,6 gramas por quilo de peso corporal ao dia.
O que muda na prática
Depois de anos de alertas contra gordura e carne vermelha, o novo guia flexibiliza o discurso. Embora mantenha o limite de até 10% das calorias diárias vindas de gordura saturada, incentiva alimentos naturalmente ricos nesse tipo de gordura, como carnes, manteiga e laticínios integrais. A contradição foi apontada por entidades médicas, que reagiram com cautela.
As diretrizes também endurecem o tom contra açúcares adicionados. Bebidas açucaradas devem ser evitadas, e a recomendação é que crianças só tenham contato com açúcar após os 10 anos. Carboidratos refinados, como pão branco e biscoitos, entram na lista de itens a reduzir.
Repercussão e bastidores
A Associação Médica Americana endossou o guia, enquanto a Associação Americana do Coração demonstrou preocupação com o possível aumento do consumo de gordura saturada e sódio. O documento também gerou críticas por ter ignorado recomendações de um comitê técnico anterior e por conflitos de interesse de parte dos especialistas envolvidos.
Como diretriz oficial, o texto influencia merendas escolares, hospitais e programas sociais. A mudança sinaliza uma nova abordagem nutricional — mais simples no discurso, mas ainda cercada de debates científicos.



