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Filme brasileiro faz história no Globo de Ouro e amplia presença do país no cinema mundial

O Agente Secreto vence duas categorias na mesma edição da premiação e consolida trajetória internacional marcada por reconhecimento crítico

O cinema brasileiro viveu uma noite histórica no domingo, 11 de janeiro. O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, tornou-se o primeiro filme nacional a conquistar dois prêmios em uma mesma edição do Globo de Ouro. O longa venceu como melhor filme em língua não inglesa e garantiu a estatueta de melhor ator em filme de drama para Wagner Moura, ampliando um percurso que já vinha chamando atenção dentro e fora do país.

O feito coloca o Brasil novamente em destaque em uma das principais vitrines do audiovisual mundial. Antes disso, apenas Orfeu Negro, em 1960, e Central do Brasil, em 1999, haviam levado o prêmio de melhor filme estrangeiro. A diferença agora é simbólica e estatística: nunca um título brasileiro tinha saído do Globo de Ouro com dois troféus na mesma noite.

Reconhecimento que vem de longe

A vitória não surgiu por acaso. O Agente Secreto chegou à cerimônia embalado por uma campanha internacional consistente e numericamente robusta. Até o momento, o filme soma 56 troféus em 36 premiações, incluindo reconhecimentos importantes em festivais como Cannes, Chicago, Zurique e Estocolmo. Em Cannes, aliás, Wagner Moura já havia sido premiado, assim como Kleber Mendonça Filho pela direção, reforçando a força criativa do projeto.

Esse desempenho colocou o longa em posição de destaque na temporada de premiações, superando, em volume de conquistas, campanhas recentes do cinema nacional. No Globo de Ouro, O Agente Secreto ainda concorreu como melhor filme de drama, mas acabou superado por Hamnet.

Wagner Moura no centro da cena

O prêmio de melhor ator de drama para Wagner Moura confirma a recepção positiva de sua atuação junto à crítica internacional. Ao longo da temporada, o ator colecionou vitórias e menções em círculos de críticos nos Estados Unidos, Europa e América Latina, consolidando um dos trabalhos mais reconhecidos de sua carreira recente.

A presença constante de seu nome entre os premiados ajuda a explicar o alcance do filme e o interesse crescente do público estrangeiro por produções brasileiras com identidade própria e forte discurso narrativo.

Um contexto de mudança em Hollywood

O avanço de O Agente Secreto acontece em um momento de transformação nas grandes premiações. Nos últimos anos, instituições como o Globo de Ouro ampliaram e diversificaram seus corpos votantes, o que resultou em maior abertura para filmes falados em outros idiomas. A vitória de Parasita no Oscar de 2020 é frequentemente citada como um marco dessa virada, que segue reverberando.

Nesse cenário, o sucesso do filme brasileiro dialoga com uma indústria mais atenta a narrativas fora do eixo tradicional hollywoodiano e mais receptiva à diversidade cultural.

Caminho aberto para o Oscar 2026

Com a vitória no Globo de Ouro, O Agente Secreto fortaleceu ainda mais sua posição na corrida pelo Oscar. O filme já integra a lista de pré-selecionados para a edição de 2026. A relação final dos indicados será divulgada em 22 de janeiro, e a cerimônia está marcada para 15 de março.

O resultado até aqui reforça a percepção de que o cinema brasileiro atravessa um período de visibilidade rara, sustentada por reconhecimento crítico, presença constante em festivais e, agora, por um feito inédito em uma das premiações mais tradicionais do mundo.

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  • Redação Citizen

    Redação do Portal Citizen

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