A semana começou com um silêncio que falou alto nos bastidores de Brasília. O prazo para que a defesa de Jair Bolsonaro apresentasse novos embargos de declaração ao Supremo Tribunal Federal se esgotou às 23h59 de segunda-feira, sem que qualquer novo movimento fosse feito. Um gesto calculado ou simplesmente o esgotamento das cartas na mesa? Nos corredores jurídicos, a sensação é de que o jogo apertou.
O episódio se repete no caso do deputado Alexandre Ramagem, que também deixou passar o prazo. O parlamentar está fora do país desde setembro, mesmo com ordem para permanecer no Brasil e prisão preventiva decretada. A ausência de recursos reforça a leitura de que o caminho jurídico da dupla ficou estreito demais.
Os primeiros embargos de Bolsonaro já haviam sido rejeitados por unanimidade. O relator Alexandre de Moraes foi direto ao afirmar que o recurso não buscava esclarecer nada, apenas reabrir discussões que o julgamento já havia superado. Ainda restam os chamados embargos infringentes, possíveis até 3 de dezembro, mas com chances mínimas: seriam válidos apenas com dois votos divergentes — e houve só um.
Entre ministros e especialistas, cresce a percepção de que a execução da pena pode ser antecipada. A manutenção da prisão preventiva por decisão unânime da Primeira Turma reforça esse clima de virada iminente. A defesa insiste na prisão domiciliar, alegando saúde frágil, mas a oferta de atendimento médico integral pesa contra essa possibilidade.
Enquanto isso, Bolsonaro permanece no centro de um processo que o condenou por cinco crimes e o identificou como líder de uma organização criminosa empenhada em impedir a transição democrática de 2022. A sensação, para quem acompanha de perto, é de que o desfecho se aproxima — e rápido.



