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Choque Comercial

Trump recua e suspende tarifaço de 40% sobre produtos do Brasil

Café, carne e frutas voltam a entrar nos EUA sem taxa extra após semanas de pressão política e inflação em alta

A decisão caiu como um alívio para produtores brasileiros que já não sabiam mais onde guardar a mercadoria encalhada. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspendeu as tarifas de 40% sobre produtos agrícolas do Brasil, medida que havia começado a valer em julho e vinha estrangulando exportadores de café, carne bovina, açaí, frutas e uma lista extensa de alimentos que há décadas circulam com fluidez entre os dois países.

O recuo, oficializado em decreto, vale inclusive para cargas que desembarcaram nos EUA desde 13 de novembro — justamente a data em que chanceler Mauro Vieira se reuniu com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, em Washington. A conversa parece ter surtido efeito, embora opositores afirmem que a suspensão tem mais a ver com a inflação americana do que com diplomacia.

Trump mencionou expressamente a ligação telefônica que teve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em outubro, ao dizer que ambos concordaram em iniciar negociações. Mesmo assim, o republicano deixou claro que Rubio continuará monitorando os motivos que deram origem ao tarifaço, numa espécie de sinal amarelo permanente.

No Brasil, a decisão movimentou os bastidores. Setores produtivos comemoraram imediatamente, vendo espaço para recuperar mercado e retomar contratos perdidos. Lula, ao comentar o anúncio, foi direto: ninguém respeita quem não se respeita. Já vozes da oposição atribuíram o recuo apenas à necessidade de Trump conter pressões internas por causa dos preços dos alimentos, especialmente o café, que viu oferta brasileira despencar quase pela metade.

Com os EUA enfrentando o menor rebanho bovino em mais de sete décadas e demanda firme, o alívio tarifário chega num momento estratégico para os dois lados. A suspensão reduz tensões recentes e reabre caminho para novas rodadas de negociação, mas não encerra o jogo. Washington ainda mantém tarifas sobre outros produtos, e Brasília pressiona por uma normalização completa das relações comerciais.

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  • Redação Citizen

    Redação do Portal Citizen

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