A atmosfera anda inquieta. Cientistas do clima já apontam que, nos próximos dias, uma ruptura no vórtice polar do hemisfério norte vai embaralhar padrões de vento e empurrar ondas de ar gelado por boa parte do planeta — especialmente Estados Unidos, Europa e Ásia. E, sinceramente, sempre que o assunto é vórtice polar, a sensação é de que o céu decide virar protagonista.
O vórtice polar é uma enorme área de baixa pressão que concentra ar gelado em torno dos polos. Quando está estável, mantém o frio bem guardado. Mas, segundo o climatologista Francisco Aquino, da UFRGS, desta vez um aquecimento súbito na estratosfera, entre 15 e 30 km de altitude, rompeu sua organização. A quebra libera ondas que bagunçam as correntes de vento e deixam espaços para que o ar gelado do Ártico avance com força pelo Canadá e pelos Estados Unidos. Resultado: neve precoce, temperaturas despencando e uma sensação de inverno antecipado.
Apesar de ser um fenômeno natural, chama atenção por acontecer raramente e, nos últimos anos, com frequência maior. Aquino aponta que o planeta mais quente e úmido, cheio de vapor d’água entrando na alta atmosfera, pode estar empurrando esse tipo de ruptura.
Mas, afinal, o Brasil entra nessa história? Por ora, não. O efeito direto do vórtice polar norte não costuma alcançar o país. No entanto, com um La Niña fraco atuando, a circulação tropical pode ganhar mais força, alterando chuva em algumas regiões. Ainda não há consenso, mas pesquisadores avaliam possíveis reduções de precipitação em partes do país e aumento em outras.
Enquanto o frio extremo avança lá fora, por aqui o impacto deve ser indireto e discreto. Ainda assim, todo fenômeno desse porte levanta dúvidas — e mostra, mais uma vez, como cada movimento da atmosfera reverbera pelo mundo.
- Com informações da CNN Brasil



